As perdas de segurança cripto atingiram 1,18 mil milhões de dólares em 107 incidentes no terceiro trimestre de 2026, segundo a empresa de segurança de blockchain Hacken, uma vez que vulnerabilidades em ferramentas de terceiros, fornecedores e cobertura de auditoria incompleta foram responsáveis pela maior parte dos danos.
A Hacken afirmou que as perdas aumentaram 55% face ao trimestre anterior. Cerca de 906,8 milhões de dólares — aproximadamente 77% do total — estiveram ligados a fornecedores ou ferramentas de desenvolvimento comprometidos, vulnerabilidades conhecidas que não tinham sido corrigidas e componentes de software deixados fora do âmbito da auditoria de segurança mais recente.
Os números desviam a atenção dos erros individuais em contratos inteligentes para a cadeia de fornecimento tecnológico que sustenta as plataformas cripto. Um protocolo pode contratar uma auditoria e, ainda assim, enfrentar uma exposição substancial se depender de um produto de segurança externo, de uma dependência não corrigida ou de sistemas operacionais que os auditores não examinaram.
O maior incidente do trimestre envolveu um ataque à Bitget que a Hacken estimou em pelo menos 352 milhões de dólares. Alegadamente, o atacante explorou uma vulnerabilidade num produto de segurança de terceiros, obtendo acesso à infraestrutura de levantamentos. O caso demonstra como os sistemas de controlo de acesso e os prestadores de serviços podem criar um ponto único de falha, mesmo quando a blockchain subjacente continua operacional.
Os limites das auditorias sob escrutínio
A estimativa da Hacken de que 77% das perdas trimestrais estavam relacionadas com uma cobertura de auditoria limitada, fornecedores externos ou problemas técnicos conhecidos coloca pressão sobre a prática comum de tratar uma auditoria como uma garantia ampla de segurança.
Uma auditoria examina normalmente um conjunto definido de código, muitas vezes num momento específico do desenvolvimento de um projeto. Pode não abranger a infraestrutura de cloud, os controlos de acesso dos funcionários, os sistemas de gestão de carteiras, futuras atualizações de software, integrações de terceiros ou alterações feitas após a revisão. Na prática, os projetos que gerem fundos de utilizadores precisam de encarar a segurança como um processo operacional contínuo, e não como um marco técnico único.
As conclusões surgem também numa altura em que a negociação alavancada continua ativa, apesar de uma retirada mais ampla nos tokens de menor capitalização. Os dados da Hyperbot mostraram que um trader conhecido como “Machi Big Brother” reabriu uma posição longa em Ether com alavancagem de 25 vezes, depois de ter sido totalmente liquidado cerca de quatro horas antes. A nova posição detinha 1 745 ETH, avaliados em aproximadamente 4,2 milhões de dólares nos dados fornecidos, com um preço de liquidação indicado de 2 364 dólares.
Estas posições podem amplificar os movimentos de curto prazo do mercado, mas as perdas de segurança documentadas pela Hacken refletem uma categoria de risco distinta. Os traders que utilizam alavancagem podem ser forçados a sair devido à volatilidade dos preços; os utilizadores de plataformas ou protocolos comprometidos podem perder ativos devido a falhas na infraestrutura e na gestão do acesso.
A amplitude do mercado enfraquece apesar dos ganhos modestos das empresas de grande capitalização
O relatório de segurança coincidiu com uma semana de forte pressão vendedora generalizada entre ativos digitais de menor dimensão. A empresa de investigação 10x Research afirmou que 141 tokens acompanhados caíram, em média, 14% na última semana, enquanto a Bitcoin recuou 3%. A empresa também comunicou um menor volume de negociação, uma redução da oferta de stablecoins e fluxos de ETF que passaram a ser saídas líquidas.
Nas últimas 24 horas, várias criptomoedas de grande dimensão registaram ganhos modestos nos dados de mercado fornecidos. A Bitcoin subiu 0,91%, a Ether ganhou 0,24%, a Solana avançou 0,72%, a XRP valorizou 0,61% e a BNB subiu 0,82%. A NEAR e a SUI estiveram entre os ativos de grande capitalização com melhor desempenho, subindo 2,67% e 2,12%, respetivamente.
Estes aumentos diários oferecem poucas provas de uma recuperação generalizada após a descida semanal comunicada nos tokens alternativos. Uma participação limitada no mercado pode deixar os ativos menos líquidos mais vulneráveis a reversões acentuadas, especialmente quando a atividade de negociação está a diminuir. Pequenos ganhos nas principais moedas também não eliminam os riscos operacionais identificados na análise da Hacken.
França avança com alteração fiscal relativa às stablecoins
Em França, a Assembleia Nacional aprovou uma alteração ao orçamento que mudaria o tratamento fiscal das conversões de criptomoedas em stablecoins a partir de 1 de janeiro de 2027. A alteração foi aprovada por 38 votos contra 37, com 25 abstenções.
Ao abrigo da proposta, a troca de um ativo cripto por uma stablecoin de moeda única indexada a uma moeda fiduciária, como o euro ou o dólar americano, poderia desencadear um imposto sobre mais-valias, mesmo que o utilizador não convertesse os fundos em moeda convencional. A taxa fixa aplicável foi descrita no material fornecido como sendo de cerca de 31,4%.
A medida aproximaria as conversões de stablecoins de eventos de alienação tributáveis, em vez de permitir que os traders as tratassem como uma operação neutra dentro do mercado de ativos digitais. O seu efeito final depende do processo legislativo e dos detalhes da implementação, mas a votação renhida indica que a política continua a ser politicamente contestada.
Operadores de mercados de previsão contestam o Missouri
A pressão regulatória também está a chegar aos tribunais dos EUA. A plataforma de mercados de previsão da Crypto.com e a Novig intentaram uma ação judicial federal contra autoridades do Missouri, procurando impedir a aplicação das restrições do estado aos contratos sobre eventos desportivos.
A procuradora-geral do Missouri, Catherine Hanaway, enviou em setembro cartas de cessação e desistência a seis plataformas, ordenando-lhes que parassem de oferecer esses contratos a residentes do Missouri no prazo de 30 dias ou obtivessem uma licença estatal e pagassem um imposto de 10%, segundo a contestação judicial das empresas.
Os autores alegaram que a carta era dirigida à Foris DAX Inc., e não à própria plataforma de negociação. Também apontaram para o limite constitucional do Missouri de duas licenças móveis para previsões desportivas, afirmando que ambas já tinham sido emitidas. O litígio poderá testar se as plataformas de contratos sobre eventos podem operar ao abrigo das regras federais dos mercados quando os estados classificam os seus produtos como apostas desportivas regulamentadas.
Entre segurança, tributação e regulamentação dos mercados, o total recorde de perdas do trimestre oferece o alerta imediato mais claro: os utilizadores e as plataformas de criptomoedas enfrentam riscos que vão muito além dos preços dos tokens. Os fornecedores externos de software, os controlos de infraestrutura e a classificação jurídica precisa de um produto podem determinar os resultados de forma tão decisiva como a direção do mercado.
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